Departamento: DCSG
Área científica: História da Arte
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Este seminário parte das disputas contemporâneas em torno da memória colonial no espaço público para refletir criticamente sobre o papel da arte contemporânea na problematização do património. Movimentos como Rhodes Must Fall tornaram visível que monumentos e símbolos nacionais — frequentemente associados à celebração de sistemas de opressão — não são vestígios neutros, mas dispositivos de mediação histórica que legitimam leituras do passado. Estas controvérsias evidenciam conflitos sobre o que deve ser lembrado e como interpretar publicamente passados traumáticos.
Neste quadro, o seminário examina como práticas artísticas e curatoriais intervêm sobre imagens, monumentos e arquivos, reconfigurando os modos de ver e patrimonializar heranças difíceis. Serão analisadas estratégias como a reinscrição de monumentos, a produção de contra-monumentos, a ativação de arquivos coloniais e a mobilização da imagem como campo de disputa. A arte é entendida como forma de investigação e mediação histórica, operando por deslocamento, montagem e sobreposição palimpséstica.
O seminário inscreve-se numa perspetiva interdisciplinar que articula História, História da Arte, Museologia e Estudos do Património, com particular atenção aos contextos lusófonos, contribuindo para a formação de profissionais capazes de intervir criticamente em patrimónios marcados por conflito, trauma e desigualdade.
Património;
Memória;
Pós-colonialismo;
Espaço público.
• Análise crítica de patrimónios controversos
• Domínio de conceitos-chave (memória, arquivo, pós-memória, contra-monumento)
• Aplicação de enquadramentos teóricos a casos concretos
• Capacidade de problematização e argumentação autónoma
• Consciência ética na mediação de patrimónios sensíveis
1. Património, memória e disputa no espaço lusófono
Património como construção social; monumentos como dispositivos de mediação; patrimónios controversos em contextos pós-coloniais.
2. Arte contemporânea e crítica do passado
Arte como contra-arquivo; pós-memória e testemunho; estratégias de deslocamento, montagem e sobreposição palimpséstica.
3. Monumentos e intervenções no espaço público
Derrubada, reinscrição e recontextualização; contra-monumentos; casos de estudo em Portugal, Brasil e países africanos de expressão portuguesa.
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A avaliação tem carácter individual e implica a coexistência de duas modalidades de avaliação: avaliação contínua (60%) e avaliação final (40%). Essa avaliação será desenvolvida na aplicação de formas diversificadas, definidas no Contrato de Aprendizagem da unidade curricular.
Os estudantes têm de ter acesso a um computador com ligação à internet e, desejavelmente, possuir literacia informática na perspetiva do utilizador.