Seminário Temático Doutoral II. Interculturalidade, Migrações e Saúde
Código: 43009
Departamento: DCSG
ECTS: 10
Área científica: Ciências Sociais
Total de horas trabalho: 260
Total de horas de contacto: 40

Esta unidade curricular tem como objectivos aprofundar a pesquisa e discussão teórico/metodológica, critica e prática, de questões da interculturalidade, saúde e comunicação em contextos migratórios e multi/interculturais. Visa a reflexão e problematização destas questões através de uma abordagem multidimensional, intercultural e interdisciplinar, envolvendo conceitos fundamentais, aspectos epistemológicos e pesquisa empírica subjacentes à pluralidade de saberes, bem como à complexidade de processos e poderes que atravessam esta área. Pretende a compreensão e análise reflexiva das problemáticas de adaptação, comunicação, saúde e doença dos migrantes e minorias étnicas e das vulnerabilidades que os atingem. Objectiva desconstruir racionalidades e representações de saúde e doença evidenciando a complexidade entre estas concepções, práticas sociais e análise crítica das políticas de saúde. O programa está organizado em três eixos temáticos. O primeiro eixo temático visa fornecer elementos teórico-conceptuais para a compreensão dos processos, dinâmicas e competências interculturais e comunicacionais em saúde, em particular em contextos migratórios e interculturais, proporcionar conhecimentos sobre as problemáticas psicossociais e de saúde que se colocam em situação intercultural aos migrantes e minorias étnicas, bem como favorecer a análise de estratégias e políticas tendo em vista melhorar a comunicação e intervenção em saúde em contextos de interculturalidade e migração. No segundo eixo temático os conteúdos programáticos problematizam as questões de saúde e migrações fornecendo elementos para o conhecimento de contextos, unidades de saúde e boas práticas neste domínio e para a compreensão dos determinantes em saúde e desigualdades e discriminação que atingem os imigrantes, bem como do acesso e utilização dos serviços de saúde. O terceiro eixo temático fornece instrumentos para discussão e análise crítica das tendências actuais das políticas públicas da saúde reflectindo e analisando as respostas institucionais e as trajectórias dos utilizadores na construção de uma cidadania inclusiva.

Interculturalidade, Saúde e Comunicação
Saúde e Migrações
Competências Interculturais e Boas Práticas em Saúde dos Migrantes
Políticas e Racionalidades da Saúde em Contextos Interculturais


- Desenvolver competências e promover conhecimentos favoráveis à implementação de contextos, práticas e políticas promotoras não só de saúde, bem estar e interculturalidade, como também, de comunicação culturalmente adaptada, de cidadania e igualdade de oportunidades em saúde.
- Desenvolver competências teórico- práticas aprofundadas para a análise e compreensão dos diferentes processos e dimensões da saúde, comunicação e cultura, sobretudo em contextos interculturais e migratórios e promover a pesquisa nesta área.
- Promover  a capacidade  para discutir e analisar de forma reflexiva e crítica as questões da saúde e doença nas suas diferentes dimensões, contextos e interfaces interculturais, migratórias e comunicacionais.
- Promover competências para enquadrar as questões das relações interculturais, da saúde e da doença em contextos multi/interculturais, no contexto dos debates actuais científicos e sociais em torno desta problemática relacionados com o saber e o saber-fazer.
- Favorecer o desenvolvimento de competências para o aprofundamento da investigação e para uma intervenção mais inovadora nesta área, mas também a reflexão sobre os numerosos desafios que se colocam na promoção da saúde, do bem estar social e de uma cidadania activa, enquanto membros de uma sociedade caracterizada por uma crescente multiculturalidade, conflitualidade, heterogeneidade e complexidade.


Os conteúdos programáticos estão organizados em três grandes áreas temáticas:

I – Interculturalidades, Saúde e Comunicação em contextos interculturais e migratórios

1. Interculturalidade, Comunicação e Saúde – Método, Teoria e Prática
2. Clínica e Psicopatologia Intercultural

II – Migrações e Saúde – Contextos, problemáticas e boas práticas

1. Saúde e migrações
2. O estado de saúde dos imigrantes

III – Politicas e Racionalidades da saúde em contextos interculturais

1. Políticas, Instituições e Profissionais no campo da saúde
 2. Racionalidades leigas de saúde na contemporaneidade

Alves, F.(2011). A doença mental nem sempre é doença: racionalidades leigas sobre saúde e doença mental. Porto: Edições Afrontamento.
Alves, F. (Org); Silva, L.; Fontes, B.; Luz, Madel T. (Coord). (2013). Saúde, Medicina e Sociedade: uma introdução Sociológica. Lisboa: Pactor, Lidel.
Alves, F. e Bäckström, B., (Orgs.), (2013), Dossier Saúde e Multiculturalidade, Fórum Sociológico, nº 22 (IIª Série), ISSN 0872-8380.
Araoz, G., Alves, F.; Jaworski, K. (Eds) (2013). Rethinking Madness: Interdisciplinary and Multicultural Reflections. Inter-Disciplinary Press: Oxford.
Bäckström, B., (2012) Envelhecimento ativo e saúde num estudo de caso com idosos imigrantes, Revista Migrações, nº 10, abril de 2012, Observatório da Imigração.
Bäckström B. (2011) Accés des immigrants aux services de santé – une étude de cas à Lisbonne. Migrations Santé, Paris, nº 142-143.
Bäckström, B., (2010) O acesso à saúde e os fatores de vulnerabilidade na população imigrante in Alicerces, Revista de investigação, ciência e tecnologia e artes, Edição Instituto Politécnico de Lisboa, ano III, nº 3, abril de 2010, pp. 79-90.
Bäckström, B (2009) Saúde e Imigrantes: as Representações e as práticas sobre a Saúde e a Doença na Comunidade cabo-verdiana em Lisboa.Lisboa, Observatório da Imigração: Coleção teses, nº 24
Bäckström, B., Carvalho, A.; Inglês U., (2009) A nova imigração e os problemas de saúde em Portugal - O Gabinete de Saúde do Cnai enquanto um observatório para o estudo da saúde dos migrantes em Portugal, Revista Migrações, nº 4, abril de 2009, Observatório da Imigração.
Coutinho, M. P. L., Franken, I, Ramos, N. (2012). Transtornos Mentais Comuns no Contexto Migratório Internacional. PSICO, PUCRS, (43) 3 : 400-407. http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/revistapsico/article/viewFile/10512/8241
Franken, I., Coutinho, M. P., Ramos, N. (2012). Representações sociais, saúde mental e Imigração Internacional. Revista Psicologia: Ciência e Profissão. (32,1): 202-219.
Neto, C.; Alves, F. (2012). “A Experiência Subjetiva com a Doença Mental Crónica: Estudo exploratório com sujeitos diagnosticados com depressão crónica”. In Revista Sociologia, Problemas e Práticas, N.º70 , Setembro, 2012, pp. 111-129. DOI:10.7458/SPP2012701213, Lisboa, ISCTE. Disponível em: http://sociologiapp.iscte.pt/pdfs/10300/10445.pdf
Ramos, N. (2004). Psicologia Clinica e da Saúde. Lisboa, UAb.
Ramos, N. (2008) (org.) Saúde, Migração e Interculturalidade. João Pessoa, EDUFPB
Ramos, N. (2008).Comunicação e saúde em contexto multicultural. IV ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. 28 – 30maio2008. FaculdadedeComunicação/UFBA:Salvador.http://www.cult.ufba.br/enecult2008/14556-02.pdf.2008a.
Ramos, N. (2009) Saúde, Migração e Direitos Humanos. Mudanças – Psicologia da Saúde. S. Paulo, 17 (1), Jan-Jun, 2009, 1-11
Ramos, N., Serafim, J. (2009). “Cinema e mise en scène: Histórico, método e perspectivas de pesquisa intercultural”. Revista de Artes Cénicas - Reportório – Corpo e Cena. 12 (13), 89-97.
Ramos, N. (2010). Cinema e Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas: Contribuição do Filme Etnopsicológico para o Estudo da Infância e Culturas. Contemporanea, 9, (2), 2010,p.1-28.
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Ramos, N. (2012). Migração, Maternidade e Saúde. Revista: Reportório, Teatro e Dança. Número Temático – Movimento Criatividade e Cura. (15), 18 (2012,1): 71-83.
http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revteatro/issue/view/657/showToc
 
Ramos, N. (2012). Comunicação em Saúde e Interculturalidade – Perspectivas Teóricas, Metodológicas e Práticas. RECIIS – Revista Eletrónica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde. Rio de Janeiro, (6), 4. http://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/742/1385
Ramos, N. (Org.), (2012). Família e maternidade em contexto migratório e intercultural. N. Ramos et al. (org.). Família, Educação e Desenvolvimento no séc. XXI. Olhares Interdisciplinares.IPP,ESEP:21-28. ook. http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/2189/3/ebook11.pdf
Ramos, N. (2013). Interculturalidade(s) e mobilidade(s) no espaço europeu: viver e comunicar entre culturas. In Pina, H., Martins, F., Ferreira, C. (eds). Grandes problemáticas do espaço europeu: estratégias de (re)ordenamento territorial no quadro de inovação, sustentabilidade e mudança. Porto: Faculdade de Letras, Universidade do Porto, p. 343-360. http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12315.pdf
Reis, L., Ramos, N. (2013). Migração e saúde de brasileiros  residentes em Lisboa. In Revista Ambivalências, v 1, nº 2, p. 29-53, Julho-Dez. 2013, UFS, Brasil.
Ramos, N., Serafim, J. (2014). Comunicação em saúde e antropologia fílmica. In ALAIC 2014, Peru. Anais do XII Congresso da Associação Latino Americana de Investigadores da Comunicação. Lima: PUCP. http://congreso.pucp.edu.pe/alaic2014/wp-content/uploads/2013/09/Natalia-Ramos.pdf
Ramos, Natália (2016). Mães e famílias entre culturas: saúde, desenvolvimento e cuidados interculturais. In Rocha, Marcia; Ramos, Natália; Santos, Silvana; Costa, Maria Dalva  (org.). Seguridade social, interculturalidades e Desigualdades na contemporaneidade. Natal: EDUFRN, p. 229-269.
 https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22342
 
Silva, L.; Alves, F. (2011). Compreender as racionalidades leigas sobre saúde e doença, in Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 21 (4): 1207-1229.
 
 

E-learning


A avaliação das aprendizagens nesta unidade curricular será realizada com base na avaliação contínua das atividades individuais e em grupo. A avaliação final resulta da ponderação de vários elementos de avaliação: qualidade da participação em fóruns de debate; trabalhos individuais e em grupo (leituras críticas e ensaios);trabalho final individual.