Departamento: DH
Área científica: Literatura
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Tendo como diapasão estas ideias, procurar-se-á, na presente UC, refletir sobre a relação, dialogal e dialógica, entre as diversas vanguardas históricas do século XX, no que essencialmente diz respeito às práticas e aos comportamentos poéticos que, variavelmente, acabam por alvejar a transformação de “consciências” (individuais e coletiva): seja adotando o poeta um posicionamento de confronto aberto, ou mesmo de indiferença; seja proclamando o poder renovador da poesia; seja criticando a mercantilização do estético; seja valorizando uma conceção triunfalista da poesia enquanto “realidade absoluta”; seja considerando o papel transformador da poesia — à custa muitas vezes de um jogo polifonicamente construído entre a manutenção e a subversão das estruturas (significativas e técnico-literárias) do “campo literário” (assim se compreendendo melhor a importância e o legado que os modernistas deixaram à literatura portuguesa do século XX).
Modernismo
Futurismo
Surrealismo
Poesia Experimental
No final desta Unidade Curricular, espera-se que o Mestrando seja capaz de:
- avaliar criticamente as revistas Orpheu e Portugal Futurista como manifestações de carnavalização estético-literária;
- identificar, sistematizar e explicar as características do manifesto literário;
- identificar e analisar (exemplificando) o modo como alguns dos modernistas portugueses avaliaram o homem português e encararam a relação entre o eu individual e o Outro coletivo;
- explicar o signo da pluralidade que identifica o sujeito pessoano, em textos teóricos e literários;
- descrever toda a problemática que envolve a determinação do estatuto do heterónimo e da heteronímia;
- avalizar as relações entre a poética e a poesia de cada um dos heterónimos pessoanos;
- identificar os antecedentes histórico-literários do Surrealismo em Portugal;
- justificar as assincronias do Surrealismo em Portugal relativamente ao Surrealismo francês;
- indicar os vetores axiais do ideário artístico-literário do Surrealismo em Portugal;
- caracterizar as linhas temáticas centrais de alguns dos principais surrealistas portugueses — nomeadamente António Pedro, José-Augusto França e Alexandre O’Neill (no que diz respeito ao Grupo Surrealista de Lisboa), bem como Mário Cesariny de Vasconcelos e António Maria Lisboa (no que diz respeito ao Grupo Surrealista dissidente);
- demonstrar a relação que, em Portugal, une os futuristas aos surrealistas — nomeadamente a que diz respeito ao posicionamento iconoclasta, à relação entre a coletividade e o indivíduo, à proclamação de uma “verdade” (construída sobre a espontaneidade poética, a fantasia, o poder renovador do poeta e da poesia) à crítica de teor manifestatário à mercantilização do estético, bem como à conceção triunfalista da “realidade absoluta”, do momento de criação estética e do papel transformador da poesia;
- identificar as origens histórico-literárias do Experimentalismo poético português;
- traçar o enquadramento histórico-literário da Poesia Experimental portuguesa, realçando o encontro dialogal e dialógico com o contexto estético internacional;
- identificar os princípios estéticos, artísticos e literários da poesia experimental portuguesa, nomeadamente na produção de António Aragão, E. M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, Alberto Pimenta e Salette Tavares;
- explicar a atitude carnavalizadora dos poetas experimentais, envolvendo uma dupla atitude de denúncia e de renovação;
- equacionar o destaque concedido ao processo criativo;
- esclarecer os princípios defendidos de “ambiguidade”, “abertura” e “ludismo” nas práticas criativas experimentais;
- explicar a necessidade imperativa da participação ativa do leitor, defendida pelos poetas experimentalistas;
- explicitar o desarme do processo criativo;
- clarificar a posição ideológica, assumida pelos poetas e críticos experimentalistas, de crítica ao Fascismo — sobretudo a partir de 1974;
- descrever o interesse paulatino dos poetas experimentais pela poética barroca portuguesa, indicando os motivos subjacentes a esse interesse;
- explicitar (exemplificando) o peso da prática de performance nos experimentalistas;
- desenvolver a problemática do diálogo da poesia com as artes visuais levado operado pelos poetas experimentalistas.
1. Modernismo e Futurismo: da carnavalização à reconstrução
2. Surrealismo: a relação coletividade-indivíduo e o poder transformador da poesia
3. A Poesia Experimental
Arquivo Digital da Po.Ex
BÜRGER, P. (1993). Teoria da Vanguarda. Lx: Vega
MARINHO, M. F. (1987). O Surrealismo em Portugal. Lx: IN-CM.
REIS, C. (1995). O Conhecimento da Literatura. Introdução aos Estudos Literários. Coimbra: Almedina.
VILA MAIOR, D. (2021). O Futurismo (4 Vídeos REA@). Lx: Univ. Aberta.
E-learning (completamente online).
A avaliação tem caráter individual e implica a coexistência de duas modalidades: avaliação contínua (60%) e avaliação final (40%). Essa avaliação será desenvolvida na aplicação de formas diversificadas, definidas no Contrato de Aprendizagem da unidade curricular.
É obrigatório o recurso a um computador com ligação de banda larga à Internet.