Estudos Culturais
Código: 51139
Departamento: DH
ECTS: 6
Área científica: Cultura
Total de horas trabalho: 156
Total de horas de contacto: 15

A presente unidade curricular tem como objetivo introduzir os Estudos Culturais enquanto campo de investigação e abordagem inter e transdisciplinar ao estudo da cultura e da sociedade. Pretende-se apresentar a sua génese histórica, os principais autores e correntes de pensamento que contribuíram para a sua consolidação, bem como a evolução das teorias da cultura ao longo do tempo.

Partindo do conceito de cultura enquanto sistema de significados socialmente construídos e partilhados, a unidade curricular explora os modos como as práticas, representações e identidades culturais se articulam com contextos históricos, sociais, económicos e políticos. Particular atenção será dada à relação entre cultura e poder, analisando a forma como os processos culturais participam na produção, legitimação, negociação e contestação de hierarquias, desigualdades e formas de dominação.

A análise crítica e o debate de diferentes perspetivas teóricas permitirão compreender a cultura simultaneamente como produto e processo dinâmico, marcado por relações de poder e sujeito a contínuas transformações sociais.

Cultura

Representações

Identidade

Significados

Ideologia

Poder

Pretende-se que, no final desta Unidade Curricular, o estudante tenha adquirido as seguintes competências:

- Produzir análises críticas e interpretações fundamentadas de fenómenos culturais, históricos, artísticos e linguísticos, mobilizando perspetivas multiculturais e interdisciplinares. 

- Exercer uma cidadania consciente e responsável, defendendo princípios humanistas na análise e resolução de problemas culturais, sociais e comunicacionais. 

- Analisar e comparar práticas culturais, artísticas e identitárias em diálogos interculturais, aplicando metodologias comparatistas próprias das Humanidades. 

- Mobilizar conceitos, métodos e instrumentos analíticos das Humanidades para fundamentar uma ação em contexto pessoal e profissional, articulando informação proveniente de fontes diversas com enquadramentos teóricos e metodológicos adequados. 

Pretende-se que, no final desta Unidade Curricular, o estudante tenha atingido os seguintes resultados de aprendizagem:

- Identificar e contextualizar fenómenos culturais, históricos e artísticos, considerando os seus enquadramentos sociais, históricos e discursivos. 

- Problematizar fenómenos culturais enquanto construções sociais e simbólicas, elaborando argumentos fundamentados com base em evidência e enquadramentos teórico-críticos. 

- Analisar fenómenos culturais a partir de perspetivas multiculturais, reconhecendo diversidade, alteridade e relações de poder entre contextos culturais. 

- Analisar criticamente tensões, conflitos e processos de negociação em práticas culturais, mobilizando abordagens teórico-críticas (ex.: ideologia, representação, discurso), e evidenciando uma postura reflexiva de cidadania consciente. 

- Analisar e comparar práticas culturais, artísticas e identitárias em diferentes contextos, identificando dinâmicas de poder, hegemonia e marginalização. 

- Analisar e comparar práticas culturais, artísticas e identitárias em diferentes contextos, identificando relações de poder, processos de hegemonia e formas de resistência, com recurso a abordagens comparativas. 

- Aplicar enquadramentos teórico-metodológicos a situações concretas, articulando diferentes fontes e evidência empírica. 

1. Genealogia dos Estudos Culturais

2. O que é "cultura"?

3. Cultura, ideologia e poder

4. Identidade, género e representação

5. Raça, colonialismo e memória cultural

6. Estruturalismo e sistemas de significação

1. Genealogia dos Estudos Culturais

2. O que é "cultura"?

3. Cultura, ideologia e poder

4. Identidade, género e representação

5. Raça, colonialismo e memória cultural

6. Estruturalismo e sistemas de significação

7. Subculturas e contraculturas

8. Globalização, hibridismo e fluxos culturais

9. Cultura, tecnologia e media

10. Pós-estruturalismo e desconstrução 

Bibliografia essencial

Barker, C. (2012). Cultural Studies: Theory and Practice. Sage Publications.

Cervulle, M. (2008). Stuart Hall. Identités et cultures. Ed. Amsterdam.

During, S. (Ed.). (2021). The Cultural Studies Reader. Routledge.

Glevarec, H.; Macé, E.; Maigret, E. (2008). Cultural Studies. A. Colin.

Hall, S. (Ed.). (1997). Representation: Cultural Representations and Signifying Practices. Sage Publications.

Storey, J. (2021). Cultural Theory and Popular Culture: An Introduction. Routledge.

Bibilografia complementar

Adorno, T. W., & Horkheimer, M. (1944/2002). Dialética do esclarecimento. Jorge Zahar.

Althusser, L. (1970/1980). Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado. Em L. Althusser, Posições. Edições 70.

Anderson, B. (1983/2005). Comunidades imaginadas. Edições 70.

Appadurai, A. (1996). Modernity at large. University of Minnesota Press.

Barthes, R. (1957/2009). Mitologias. Edições 70.

Beauvoir, S. de. (1949/2016). O segundo sexo (2 vols.). Quetzal.

Bhabha, H. K. (1994). The Location of Culture. Routledge.

Bourdieu, P. (1979/2010). A distinção: Uma crítica social do julgamento. Edições 70.

Butler, J. (1990/2017). Problemas de género. Orfeu Negro.

Cabecinhas, R. (2017). Preto e branco: A naturalização da discriminação racial. Húmus.

De Certeau, M. (1974). La culture au pluriel. Union Générale d’Editions.

De Certeau, M. (1980/1998). A invenção do quotidiano: 1. Artes de fazer. Vozes.

Derrida, J. (1967/2013). Da gramatologia. Perspectiva.

Fanon, F. (1952/2008). Pele negra, máscaras brancas. Fenda.

Foucault, M. (1975/2014). Vigiar e punir. Edições 70.

Gramsci, A. (1929–1935/2011). Cadernos do cárcere (seleções). Civilização Brasileira.

Hall, S. (1973/1980). Encoding/decoding. Em S. Hall, D. Hobson, A. Lowe, & P. Willis (Eds.), Culture, media, language: Working papers in cultural studies, 1972–1979 (pp. 128–138). Hutchinson.

Hall, S. (1980). Cultural studies: Two paradigms. Media, Culture & Society, 2(1), 57–72.

Hall, S. (1997). Representation: Cultural representations and signifying practices. Sage.

Hall, S., & Jefferson, T. (Eds.). (1975/2006). Resistance through rituals: Youth subcultures in post-war Britain (2nd ed.). Routledge.

Hebdige, D. (1979). Subculture: The meaning of style. Routledge.

Hoggart, R. (1957). The uses of literacy. Chatto & Windus.

Kilomba, G. (2008/2019). Memórias da plantação: Episódios de racismo quotidiano. Orfeu Negro.

Lauretis, T. de. (1991). Queer theory: Lesbian and gay sexualities. An introduction. differences: A Journal of Feminist Cultural Studies, 3(2)

Lévi-Strauss, C. (1964/2021). Mitológicas: Vol. 1. O cru e o cozido. Zahar.

Lyotard, J.-F. (1979/1989). A condição pós-moderna. Gradiva.

McRobbie, A. (1991). Feminism and Youth Culture. Macmillan.

Pereira de Almeida, D. (2022). O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo (2022). Companhia das Letras.

Robertson, R. (1992/2000). Globalização: Teoria social e cultura global. Vozes.

Said, E. W. (1978/2004). Orientalismo. Cotovia.

Saussure, F. de. (1916/2016). Curso de linguística geral. Cultrix.

Spivak, G. C. (1988). Can the subaltern speak? In C. Nelson & L. Grossberg (Eds.), Marxism and the interpretation of culture (pp. 271–313). University of Illinois Press.

Eve Sedgwick, Kosofsky, E. (1990). Epistemology of the Closet. University of California Press.

Thompson, E. P. (1963/1987). A formação da classe operária inglesa (D. Homem, Trad.; 3 vols.). Paz e Terra.

Williams, R. (1958/1983). Culture and society: 1780–1950. Columbia University Press.

Williams, R. (1976). Keywords: A vocabulary of culture and society. Fontana.

Nesta unidade curricular, a aprendizagem foi concebida para proporcionar ao estudante maior flexibilidade na gestão do seu tempo de estudo, sem perder o acompanhamento e a interação com docentes e/ou tutores e colegas. As atividades decorrem maioritariamente online e de forma assíncrona, através da plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta, combinando momentos de estudo individual com oportunidades de participação em fóruns, debates, trabalhos e outras atividades de aplicação prática dos conhecimentos.

O estudante assume um papel ativo no seu processo de aprendizagem, sendo incentivado a refletir, partilhar experiências, resolver problemas e desenvolver competências relevantes para o seu percurso académico e profissional. Ao longo da unidade curricular, terá acesso a recursos diversificados e à orientação da equipa docente, que assegura acompanhamento e feedback regular.

As metodologias adotadas valorizam a autonomia, a colaboração, a inclusão e a flexibilidade, permitindo conciliar a formação com as responsabilidades pessoais, familiares e profissionais de cada estudante.

Para conhecer melhor o Modelo Pedagógico da Universidade Aberta, consulte: Modelo de Ensino – Portal da Universidade Aberta.

A avaliação nesta unidade curricular foi concebida para apoiar a aprendizagem do estudante ao longo do semestre, valorizando não apenas os resultados alcançados, mas também o processo de construção do conhecimento. As atividades de avaliação procuram promover a reflexão crítica, a aplicação prática dos conteúdos, a participação ativa e o desenvolvimento de competências relevantes para o seu percurso académico e profissional.

Sempre que aplicável, a avaliação poderá integrar diferentes modalidades e instrumentos, como atividades individuais e colaborativas, trabalhos escritos, projetos, apresentações, participação em fóruns ou provas de avaliação, de acordo com o definido no Plano da Unidade Curricular.

Os critérios de avaliação, as atividades previstas e a respetiva ponderação serão apresentados no início da unidade curricular, garantindo transparência e permitindo que organize o seu percurso de aprendizagem de forma informada.

Para conhecer melhor os princípios e orientações da avaliação no Modelo Pedagógico da Universidade Aberta, consulte: Modelo de Ensino – Portal da Universidade Aberta.